Nashville é uma cidade grande e agitada, mas nunca, em 3 anos de visitas frequentes à capital do Tennessee, eu vi tanto movimento. Milhares de pessoas com camisas do Rolling Stones ocupavam as ruas e os bares da Broadway St. que, diga-se de passagem, faziam filas enormes, caso você quisesse comprar uma cerveja para ajudar a suportar o calor de 36 graus.
Perguntando de onde as pessoas vieram para assistir o show, escutei: Kentucky, Illinois, Ohio, Missouri, Louisiana, Minnesota, Canadá e diferentes cidades do Tennessee. Fiquei tentando colocar em perspectiva: uma banda que se tornou famosa nos anos 60 e se manteve famosa por 50 anos, lotando um estádio com capacidade para 69 mil pessoas, como é o caso do LP Field, em Nashville.
Rob e eu, no meio do mar de gente.
Quando chegamos ao estádio, o show de abertura já havia começado. Brad Paisley, cantor de Country que eu não conhecia até então, nos surpreendeu com uma participação muito especial. No meio de uma música, Paisley parou o show e se queixou: "eu não consigo cantar agudo assim... Tenho que chamar um amigo para me ajudar..." Foi nesse momento em que Joe Walsh subiu no palco e cantou uma de suas músicas mais famosas, Life's Been Good. Particularmente, adorei a participação do Joe Walsh, principalmente porque ele fez parte de uma das minhas bandas preferidas, James Gang. Por meio segundo, levei um susto quando todos ficaram enlouquecidos ao ver Walsh, pois acredito que James Gang não seja uma banda tão comum, a ponto de levar quase 70 mil pessoas ao delírio. Mas, logo em seguida, lembrei que depois de sair do James Gang, Joe Walsh fez parte de uma banda chamada Eagles, e seu primeiro álbum com essa nova banda foi Hotel California. Ops.
Brad Paisley, "not quite my tempo", mas fez um show ok, obviamente. Imagino que não chamariam um músico sem nenhuma qualidade para abrir o show da maior banda do mundo.
"Ladies and gentlemen, the Rolling Stones!"
Keith Richards toma o palco e já nos primeiros acordes de Jumpin' Jack Flash dava pra sentir o que viria pela frente. A gente sabe: Rolling Stones não é uma banda de surpresas. Compramos os ingressos para o show já sabendo o que esperar, inclusive. Eles usam uma banda de apoio, com backing vocals, saxofone, baixista, tecladista, mas a essência é a mesma: Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood e Charlie Watts. Eles não tinham que fazer muito para conquistar a plateia. Só tinham que aparecer, tocar as músicas que todos podem cantar junto, e aquele já seria um show memorável. Até nos momentos em que Jagger interagiu com o público, perguntando quem teria vindo de Knoxville ou Chattanooga para ver o show, pareceram ensaiados, mas quem liga? Eu não.
Mas foi após comentar que não iriam fazer diferente só porque estavam na cidade do Country e que iriam tocar um set normal, que veio o inesperado: Mick Jagger colocou um chapéu de cowboy e começou então Far Away Eyes, uma balada Country que a banda raramente toca ao vivo. Pra mim, esse foi o melhor momento do show. Eu amo Far Away Eyes e não estava esperando ouvi-la aquela noite.
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Foi um total de 20 músicas, com Keith Richards cantando duas delas, e Brad Paisley voltando ao palco para acompanhar a banda em Dead Flowers. Show impecável. Com certeza vai ficar na memória, pois eu nunca tinha visto os caras ao vivo, apesar deles serem uma das minhas bandas preferidas, com o plus: o Ronnie Wood, que fez parte de mais 2 das minhas bandas preferidas (Jeff Beck Group e Faces). Foi muito bom poder vê-lo, também.
Mas, como eu sou atleticana e nada na minha vida vem fácil ou sem sofrimento e drama, logo depois do show ter acabado, eu me perdi do Rob, no meio daquele tanto de gente. Eu, com todo o dinheiro, os dois celulares e sem carro, completamente ENEBRIADA, e ele, com a chave do carro, apesar de que havíamos estacionado tão longe, que tivemos que pegar um taxi para chegar no estádio. Coincidentemente, dois amigos que trabalham comigo estavam em Nashville naquela noite. Liguei para que eles viessem me socorrer, mas estava tanta confusão e engarrafamento, que eles não conseguiram chegar até onde eu estava e eu tive que andar até eles. Passamos quase duas horas dirigindo ao redor do estádio até decidirmos ir onde o carro estava estacionado. Era lá que o Rob estava. O pobre coitado andou até o carro, achando que eu seguiria a mesma lógica.
Fim de noite, fim da diversão e também do desespero. Estou pronta pra próxima!
Você não precisa ser meu melhor amigo ou melhor amiga pra saber que eu tenho, desde os 12 anos de idade, uma paixão real pelo Robert Plant. Eu achei que ia passar com o tempo, mas não. Está aqui, firme e forte.
Aliás, só para dar um pouco de contexto, ele foi o motivo para eu ter vindo aos Estados Unidos pela primeira vez, em 2012. Havia boatos de que eu estava na pior, e eu estava mesmo, então resolvi me dar um presente e realizar o meu maior sonho. Como a máquina do tempo ainda não existe e eu não poderia me transportar para o final da década de 60, pensei "qual o meu segundo maior sonho?" Menos de meio segundo depois, a resposta: ver o Robert Plant.
Foi então que comecei a planejar a minha ida ao Sunflower Blues Festival, em Clarksdale, Mississippi. Resolvi dar uma viajada pela área, vim para Memphis e conheci meu marido, Robert (eu sei, mesmo nome). O resto está sendo história.
Pouco antes da viagem para ver o Robert Plant se concretizar, o próprio Golden God confirmou que iria tocar no Brasil no mesmo ano. Tudo bem. Me diverti no show em Clarksdale, conheci cidades maravilhosas e também o amor da minha vida, com quem me casaria, um ano depois. Então voltei ao Brasil para ver o primeiro amor da minha vida, com quem eu sempre sonhei, e foi na minha própria cidade que o encontro finalmente aconteceu:
De lá pra cá, já vi o show desse maravilhoso 4 vezes, mas vou contar como foi o último (até agora), que aconteceu no dia 12 de junho, dia dos namorados.
Confesso que quando cheguei no Mud Island Amphitheatre, local onde o show aconteceu, eu estava um pouco frustrada. Meu chefe havia comprado ingressos para todos do meu trabalho irem ao show e reservado o "rooftop" do Madison Hotel (um dos hoteis mais caros em Memphis) para a pre-party. Já comecei a ficar tensa quando cheguei no Madison e um cara que trabalha comigo falou "acabei de pegar o elevador com o Robert Plant, não tem nem 3 minutos!" Sempre tive a sensação de que tinha perdido o Robert Plant por 40 anos, mas naquele dia eu o perdi por 3 minutos. Que tortura!
Durante todos os segundos do show de abertura, o excelente Keb' Mo', só tinha uma coisa passando pela minha cabeça: perdi o Robert Plant por 3 minutos.
Bobeira minha, porque no momento em que as luzes se apagaram e a banda se colocou no palco, eu percebi que não não tinha perdido nada. Ele estava ali. Mais presente do que nas fotos que eu colava nos meus cadernos, quando adolescente. Mais real do que no DVD de The Song Remains the Same, que eu insistia em assistir todos os dias da minha vida, há anos. Quando as primeiras notas de The Lemon Song começaram, era "aqui e agora". Não era 1973, Nova York, Led Zeppelin, aquela realidade distante. Estava acontecendo na minha vida, Eu, agora casada, aos 24 anos de idade. E ele, aos 66 anos, dando uma aula de Rock N Roll.
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Minha banda preferida é Led Zeppelin, mas não se iludam. Eu não estava esperando ouvir Led Zeppelin naquela noite. A carreira solo do Robert Plant é excepcionalmente rica e é mais um motivo para a minha admiração. Equanto muitos dos meus artistas preferidos vivem de relançamentos, remasters, reuniões, re... Robert Plant continua sendo relevante e atual, sem usar o passado de bengala. Prova disso é seu álbum mais recente, "lullaby and... The Ceaseless Roar". Ainda é Robert Plant. É a voz dele. Mas não é Led Zeppelin. Ainda bem, né? 35 anos se passaram desde o fim do Led Zeppelin. Não vamos tentar arrumar o que não está quebrado.
Foi assim que a minha alma explodiu de alegria quando Robert Plant cantou, palavra por palavra, The Lemon Song, logo pra começar arregaçando. Aguenta, coração?
"Turn It Up", do novo álbum. "Black Dog", clássica do Led Zeppelin. "Rainbow", a música mais linda de "lullaby and... The Ceaseless Roar". E então, amigos e amigas, senhoras e senhores, "Going to California". Se existissem palavras para descrever como foi escutar essa música ao vivo, eu usaria. Mas não existem.
Minha felicidade não durou apenas uma noite. No dia seguinte, todos os meus colegas de trabalho não pararam de falar sobre como o show tinha sido incrível.
"Comprei o álbum dele e agora vou ter que passar 4 dias escutando, sem parar".
"Nunca tinha sentido atração por homem na minha vida, até ontem a noite".
"O cabelo dele, meu Deus do céu!"
"Quando o vento batia no cabelo dele, muito charmoso!"
"Agora só vou cantar segurando o microfone que nem ele".
Por um dia inteiro, todas as pessoas ao meu redor me entendiam. O assunto que é a minha realidade todos os dias, estava sendo comentado por todos. Passei o dia conhecendo pessoas que vieram para Memphis para ir ao show e trocando histórias. Heaven.
No final da tarde, a banda do Robert Plant deu o ar das graças no Sun Studio. Eles fizeram o último tour do dia. Eu vestia a camisa do show, o que rendeu uma boa conversa com o guitarrista, Justin Adams. Foi nessa conversa que descobri que eles não iriam embora até o dia seguinte, domingo, em que se apresentariam no Bonnaroo Festival.
"Obviamente, irão descansar amanhã", pensei. Ledo engano!
Foi no domingo, dia 14 de junho, dois dias depois do show, mais ou menos às 11 horas da manhã, que recebi uma mensagem no celular: Robert Plant está no Lafayette's Music Room, assistindo um show.
Sem exagero, o Lafayette's não fica nem 4 minutos de onde eu trabalho, mas mesmo assim, foi um sufoco pra chegar lá. Primeiramente, não consegui achar a chave do carro (mais tarde, descobri que eu havia trancado a chave dentro do carro). Um amigo que trabalha comigo me deu a chave dele e disse "vai com o meu carro, depois a gente acha a sua chave, agora não é hora de procurar". Achei que meus problemas estavam resolvidos, só até chegar na rua em que o bar fica, em que o carro simplesmente morreu. Me senti na cena de Whiplash, em que o personagem principal se envolve em um acidente de carro, deixa o local do acidente e continua andando, ensanguentado, para chegar pontualmente no lugar em que vai se apresentar. Tirando que na vida real não teve acidente, eu não estava ensaguentada e não deixei o carro na rua (ou seja, tirando tudo), apenas pedi ajuda pra empurrar o carro até o encostamento e saí correndo.
Quando cheguei no Lafayettes, Robert Plant já estava saindo. Eu não quis fazer a doida e não fui falar com ele, apenas olhei de longe, até que o guitarrista me reconheceu do dia anterior e falou "vai lá falar com ele!" e eu fui. Nisso, Plant estava atravessando a rua e eu atravessei com ele. Caminhamos juntos, até chegarmos no estacionamento. Foi aí que ele se virou e estendeu a mão para mim.
Não sei como qualquer outra pessoa reagiria nesse momento, mas eu fiquei completamente sem reação. Fiquei uns bons segundos repetindo "oh my God, oh my God", até ele se aproximar mais, sorrindo, olhando nos meus olhos, e dizer "it's ok, dear".
Aconteceu. Apertei e beijei a mão do Robert Plant, repetidamente. Decidi não falar nada, apenas deixar que o momento falasse por si.
Plant se despediu, entrou no carro, sorrindo, e eu tentei voltar para a vida real.
Quando atravessava a rua, mais uma surpresa: olhei para o lado e vi que um carro se aproximava, Era ele. De dentro do carro, no lado do passageiro, ele sorria e acenava para mim. Acenei de volta.
Até a próxima, dear... ♥
Jack White. Até pouco tempo, eu ficava com um pé atrás quando escutava esse nome. Não me levem a mal, eu curti White Stripes quando eles surgiram, até comprei o primeiro cd deles com meu suado dinheiro de pré-adolescente que não trabalha, mas já tem preocupações reais, como "quantos dias no mês eu vou precisar pegar o dinheiro que meu pai me dá pra lanchar e juntar para comprar aquele cd?" Meu ponto é: comprar cd era serious business e mesmo assim eu quis White Stripes.
Meu problema com Jack White veio quando ele começou a fazer coisas aparentemente inovadoras, mas completamente sem graça e todos ficavam boquiabertos. Eu sempre tive a mesma reação da Polícia Surpresa do twitter com relação a tudo que Jack White fazia:
Vamos lembrar da primeira cena de It Might Get Loud (filme que eu adoro, por sinal), em que Jack White monta uma guitarracom pedaços de madeira, no meio do nada, com umas vacas observando o processo e, obviamente, tudo com muito ar de mistério. Acho que foi nesse momento em que eu bati o martelo e julguei: "Jack White é bem chato."
Muitas pessoas no meu trabalho são ligadas ao Jack White de alguma forma (amigos pessoais, profissionais, etc), além do próprio músico ser apaixonado pelo Sun Studio e ir lá frequentemente. Sendo assim, tenho escutado falar dele o tempo todo, desde que comecei a trabalhar no Sun. Agora vamos ao que interessa: Elvis Presley.
Elvis gravou as músicas "My Happiness" e "That's When Your Heartaches Begin" no Sun Studio, quando tinha apenas 18 anos, no verão de 1953, e deu o acetato (vulgo vinil) de presente para seu amigo Ed Leek. Milagrosamente, esse acetato sobreviveu 62 anos e recentemente foi leiloado em Graceland, durante as comemorações de 80 anos de Elvis. Como não poderia ser diferente, o fã mais rico do Elvis, Jack White, comprou esse disco por 300.000 dólares e, PARA A NOSSA ALEGRIA, relançou as duas músicas no Record Store Day, por meio de sua gravadora, Third Man Records.
Third Man limitou o número de cópias do disco a 25 por loja (apenas lojas que participam do Record Store Day), mas nos fez um agrado e mandou 250 cópias para o Sun Studio. Não consegui conter a alegria e tirei uma foto boba, pra variar:
O disco é IDÊNTICO ao original, o que nos impressionou muito. Marian Keisker (secretária de Sam Philipps e quem gravou Elvis naquela tarde) usou um selo do disco dos Prisonaires e escreveu, no verso, "Elvis Presley - My Happiness". A cópia original está descascando e dá para ver o selo original, então alguns dos discos lançados por Jack White vieram descascando da mesma maneira, com o selo da música dos Prisonaires. Perfeccionista?
Um outro tour guide que trabalha comigo chegou a comentar: me irrita um pouco escutar as pessoas falando "você viu a nova do Jack White?" A minha vontade é falar "sim, o que é antigo pra gente, é a nova do Jack White"
Eu aceito o argumento, mas, depois dessa, acho que está na hora de aceitarmos que, noooossa, o Jack White é demais mesmo.
Artistas mais escutados no mês de fevereiro, valendo!
Norah Jones
Amantes da música sabem: nada melhor do que redescobrir um artista que foi importante em algum momento da sua vida. Até seu terceiro álbum, "Not Too Long", eu era completamente apaixonada pela Norah Jones. Com a chegada do quarto álbum, "The Fall", em 2009, dei uma dispersada, porque não é exatamente o que tipo de música que me atrai, apesar de não ser ruim, obviamente. Não sei o que me fez lembrar o quanto eu adoro aqueles três primeiros álbuns, mas de repente eu já estava os escutando loucamente de novo. Por isso, minha número 1 de fevereiro!
Elvis Presley
Dispensa apresentações, mas o motivo para ele aparecer aqui é porque eu coloquei meu iPod para tocar no som do meu trabalho e adivinha o que mais escutamos no Sun Studio? Elvis! Não toquei nenhum álbum específico, deixei todos no shuffle.
Marcos Valle
Ainda não passou a minha obsessão pelo álbum "Vento Sul", que fez parte da minha lista do mês passado.
Os Originais Do Samba
Apesar de estar frio aqui em Memphis, foi carnaval no Brasil. Muita gente reclama, muita gente curte, eu apenas observo de longe, literalmente. Ano passado me fantasiei para fazer faxina em casa, mesmo estando nevando lá fora. Não tive tanta disposição esse ano para me fantasiar, mas aproveitei musicalmente, com Os Originais do Samba (banda da década de 60 que contava com Mussum na sua formação original). Meu marido, americano, comentou que "é impossível ficar parado quando esse tipo de música está tocando". Isso significa que ele não é ruim da cabeça ou doente do pé?
Pink Floyd
David Gilmour lançou recentemente o "Endless River", primeiro álbum desde a morte do tecladista Richard Wright, em 2008. O álbum contém material gravado por Wright durante a gravação do trabalho anterior da banda, "Division Bell", de 1994, mas que não tinha sido utilizado até então. Muita gente criticou "Endless River" por ser tedioso e, em sua maior parte, apenas instrumental. Assim como outros artistas que estão na ativa há muito tempo, acho que o David Gilmour cria expectativas altas nos fãs, por ter lançado os álbuns mais clássicos do Rock N Roll. Muitos esperam que os trabalhos atuais sejam tão bons quanto os antigos, ou no mesmo estilo, porém, as pessoas mudam e os artistas também. Particularmente, gostei muito do Endless River, principalmente como música de fundo para ler, tomar banho, estudar, cozinhar, etc... Não é um dos meus álbuns preferidos de toda a história, mas nada contra também.
Humble Pie
Uma das coisas que percebi fazendo essa lista mensal é que às vezes é difícil explicar o motivo para ter escutado algum artista ou álbum específico. O artista em questão é o Humble Pie e o álbum é o "Town & Country" (1969), que eu escutei até cansar, porque...
The Band
The Band nunca é demais! Estive a escutando a gravação de um show deles de 1976, em Washington. Impecáveis. Você pode escutar o show no video abaixo:
Tedeschi Trucks Band
Eu e o Rob tivemos o prazer de ver o casal Susan Tedeschi e Derek Trucks ao vivo em 2013, na turnê em que a banda abriu para o Black Crowes. Fomos no primeiro show da turnê, em Nashville, e no último, em São Francisco (que acabou sendo o último show do Black Crowes, já que eles resolveram terminar a banda no começo desse ano). Tedeschi Trucks Band vai se apresentar aqui em Memphis no começo de abril e já compramos nossos ingressos para não correr o risco de esgotarem. Aproveitei, também, para escutar os maravilhosos álbuns "Revelator" (2011) e "Made Up Mind" (2013). Estou ansiosa para vê-los mais uma vez, pois é um show de excelente qualidade e muito feeling.
Elvis Costello
Costello também tem show aqui em Memphis se aproximando (semana que vem). Para ser sincera, eu não sabia muito sobre Elvis Costello, mas meu chefe comprou ingressos para todos do meu trabalho irem ao show e foi então que me despertou uma curiosidade em relação ao cara. Dei uma pesquisada básica e encontrei um ótimo álbum que combina bastante com meu momento calmo e contemplativo atual: "North", de 2003. Nada absurdamente genial, mas recomendo.
Buffalo Springfield
Outro momento "porque eu quis". Um dia, não me pergunte porquê, eu acordei com a música "Everydays" na cabeça e não sosseguei até escutá-la umas 10 vezes. Naturalmente, isso me levou a escutar o álbum "Again" inteiro. Ache uma música "mais ou menos" nesse álbum. Não existe.
Vou tentar fazer disso uma tradição aqui no blog: postar os artistas que mais escutei durante o mês, baseado na minha página do Last.fm, que faz a relação das músicas que escuto no computador, celular e iPod, por meio de um aplicativo chamado Scrobbler. Obviamente, escuto muito vinil e esses não entram na lista, assim como as músicas que escuto no trabalho. Mas you can't always get what you want, né.
Vamos lá:
Junior Parker
Trabalhando no Sun Studio, tenho me interessado por muitos músicos que gravaram lá e Junior Parker é um deles. Dentre todos os artistas de Blues que escuto o dia todo no trabalho, ele se destacou, na minha opinião, principalmente pelo jeito que canta. É divertido de escutar e mais divertido ainda de cantar junto. Curiosidade: Junior Parker é o autor da versão original de Mystery Train, mas obviamente a música fez muito mais sucesso na voz de Elvis Presley, dando origem ao filme de mesmo nome.
Marcos Valle
Eu já gostava do Marcos Valle há um bom tempo, mas só conhecia as músicas mais famosas, até resolver comprar 3 álbuns dele (aproveitei que já estava gastando dinheiro no Black Friday e fiz a festa na loja de discos. Voltei pra casa com uma caixa cheia). Comecei escutando Vento Sul, álbum de 1972, e até hoje não escutei os outros, porque não consigo cansar desse. Marcos Valle é um músico muito versátil e fica difícil de descrever o som dele. Tem samba, tem rock, tem psicodelia, tem balada, tem harmonia, tem de tudo. Mas tudo muito organizado e balanceado. Uma delícia de álbum, e o que falar dessa capa maravilhosa?
Davy Graham
Quem já escutou White Summer, do Led Zeppelin, conhece Davy Graham, mesmo sem saber. É que o Jimmy Page, além de declaradamente se inspirar no violonista Folk, gravou a interpretação de Davy Graham da música "She Moved Through The Fair" e a chamou de "White Summer". O álbum que tenho escutado ultimamente se chama "Folk, Blues & Beyond", que não inclui a música na qual Jimmy Page "se inspirou" para gravar White Summer, mas deixo aqui o vídeo do Davy Graham tocando a sua versão da música, que é originalmente um folk tradicional da Irlanda:
Crosby, Stills & Nash
Dispensam apresentações. Obviamente, três dos meus artistas preferidos de todos os tempos. Escutei bastante no final do ano passado e começo desse ano, porque recentemente li a biografia do Graham Nash e deu vontade de escutar tudo de novo.
Ernie Chaffin
Outro artista que gravou no Sun foi Ernie Chaffin, que, ao contrário de Junior Parker, que alcançou certo reconhecimento no Blues, não fez sucesso nenhum dentro de seu gênero, o Country. Tenho pra mim que tenha sido assim porque Sam Phillips se concentrou muito em promover o Johnny Cash na época (com razão, convenhamos) e não prestou atenção nas outras pérolas do Country que tinha em mãos. Tudo bem, tudo bem... Muitos artistas tão bons quanto as estrelas da música não chegam a fazer sucesso. Não podemos ter tudo de mão beijada, mas podemos dar uma procuradinha (principalmente com a internet, tem tudo por aí!), então aqui vai uma dica pra quem curte Country: Ernie Chaffin!
Sid Selvidge
Para falar de Sid Selvidge, primeiro tenho que falar de "Mudboy and the Neutrons", que é uma banda daqui de Memphis da década de 70, que contava com ninguém mais, ninguém menos que Jim Dickinson. Sim, o melhor amigo do Keith Richards, que tocou piano em Wild Horses e pai de Luther Dickinson, do North Mississippi Allstars e ex-guitarrista do Black Crowes. Sid Selvidge tocava violão no Mudboy and the Neutrons e é o responsável pelo melhor álbum que escutei nos últimos tempos: The Cold In The Morning, de 1976.
Rich Robinson
Além de ter lançado o maravilhoso álbum "The Ceaseless Light" no começo do ano passado, Rich Robinson veio nos presenteando no decorrer do ano com os CDs "Woodstock Sessions", gravados ao vivo em maio de 2014. O terceiro volume do Woodstock Sessions foi lançado no final do ano passado e eu ainda tenho escutado bastante. Altíssima qualidade.
Zamalek Musicians
Além de curtir música, também gosto de dança do ventre. Zamalek Musicians apareceu nos mais escutados de janeiro porque tenho praticado uma coreografia da música Zay Al Asal, para apresentar em abril.
Led Zeppelin
Ainda não enjoei dos álbuns remasterizados e das gravações inéditas que o Jimmy Page lançou no ano passado, além de ter escutado bastante alguns álbuns que não escutava há muito tempo. O boxset de relançamentos liberarou o Kraken fã de Led Zeppelin dentro de mim. Sempre bom lembrar o porquê deles serem a minha banda preferida!
The Staple Singers
Mavis Staples vai tocar aqui em Memphis dia 13 de fevereiro e eu dei uma recapitulada nas músicas pelas quais eu me apaixonei loucamente quando era uma adolescente obcecada pelos movimentos de contracultura da década de 60 (ainda sou?). The Staple Singers, uma das principais bandas que deram voz ao movimento pelos Direitos Civis, era música para os meus ouvidos, literalmente, mas foi além disso, despertando o meu interesse cada vez maior por justiça social. Música que educa. Termino com "Respect Yourself", do festival Wattstax, o equivalente ao Woodstock dos Direitos Civis. Tem o documentário do festival no youtube, sugiro FORTEMENTE.
Eu havia contado aqui no blog que fui no incrível show do Crosby, Stills & Nash em Nashville. Contei também sobre o meu disco preferido do Graham Nash, Wild Tales. Mas como a vida não cansa de me surpreender, Crosby, Stills & Nash vieram tocar em Memphis e o Graham Nash fez uma tarde de autógrafos numa livraria, para divulgar seu livro, que tem o mesmo nome do meu álbum preferido dele. Sobre o show, não tenho muito o que falar além do óbvio: impecável. Sobre conhecer o Graham Nash na tarde de autógrafos, ah... Vamos lá.
Nós tínhamos comprado o livro com antecedência, portanto nosso lugar no começo da fila estava reservadíssimo. Mesmo assim, chegamos mais cedo na livraria, porque esse é o meu jeitinho. Quem me conhece sabe que eu chego mais cedo nos compromissos e nesse dia não foi diferente. E vamos combinar que passar um tempinho na livraria não faz mal a ninguém, né?
Quando começou a aglomeração para esperar o Graham Nash, fomos avisados que ele não iria assinar nada além do livro. Uma pena, porque eu levei meu Wild Tales (o álbum) achando que era bagunça, mas não era. O Rob se ofereceu para levar o álbum para o carro, mas recusei. "Vai que", né?
(PARÊNTESIS): Nunca fui muito fã de autógrafos, porque não via sentido nenhum numa assinatura, mesmo sendo de um cara extraordinário (não pedi autógrafo nem do Robert Plant, quando o conheci). Mas acabei fazendo duas exceções: Roger Hodgson e Chris Robinson, ambos em 2012. Os dois autógrafos foram em discos dos respectivos artistas, e quando me mudei para cá, vi que o Rob tinha alguns discos autografados também, então resolvemos fazer uma parede com discos autografados. Agora, fico querendo fazer a coleção crescer, quando tenho a oportunidade.
Nash chegou sorrindo e falando com todos. Não vi direito o que aconteceu, porque estávamos na fila, mas notei que rolou uma conexão com um cara que estava usando uma blusa do Jimi Hendrix. O Rob também estava usando uma blusa oportuna: Woodstock. Quando chegou a nossa vez, Graham Nash olhou para a blusa do Rob e soltou um "lovely shirt!", o que já emendou em uma conversa sobre o aniversário de 50 anos do evento (que será em 5 anos), enquanto Nash autografava o livro. Além de mostrar empolgação sobre o assunto (o que me deixou super empolgada também, porque nunca sei se esses caras ainda se importam com essas coisas), ele contou uma novidade: está reunindo uma enorme quantidade de material para lançar oficialmente. Segundo ele próprio, "foram três dias de evento, mas só lançaram três horas de shows. Isso não tá certo, temos que achar mais!" Eu, que sou apaixonada por tudo relacionado ao assunto, empolguei e acabamos conversamos sobre Woodstock por alguns minutos, até a moça que estava organizando a fila nos apressar.
Várias pessoas levaram discos para serem assinados e Graham Nash não assinou nenhum, mas quando viu o que estava nas minhas mãos, soltou um "ah, whatever!", arrancou o disco da minha mão e o assinou. Esse era o momento em que eu queria falar que Another Sleep Song, última faixa do álbum, tinha uma grande importância na minha vida, mas a pressão era grande e tínhamos que dar a vez para o próximo da fila.
De qualquer forma, saí completamente satisfeita, sem perceber que estava dando pulinhos de alegria, haha! Só percebi quando uma senhora com blusa tie-die disse "como é bom ver alguém da sua idade estar tão empolgada com o Graham Nash!" ♥
Esse post é extremamente pessoal, mas tem também um pouco de história da música, então acho que tudo bem.
O "corre do job" começou há meses quando, mesmo sem ter permissão para trabalhar nos Estados Unidos, eu decidi que iria trabalhar no Sun Studio. Para quem não sabe, o Sun Studio é conhecido por ser o lugar onde o Rock N Roll nasceu, quando Elvis Presley gravou, há 60 anos, a música It's Alright Mama. Eu conto um pouquinho sobre o Sun nesse post, na parte em que falo sobre o Sam Phillips.
Conversa com o meu pai.
Como eu já fui no tour do Sun Studio quatro vezes, não foi difícil me imaginar fazendo aquilo, o que só aumentou a minha expectativa.
A primeira coisa que eu fiz quando tomei essa decisão, foi tentar falar com o atual dono do lugar. Fui no estúdio várias vezes e não o encontrei. Mandei alguns emails explicando que eu ainda não podia trabalhar, legalmente, mas que, quando pudesse, estava decidida a trabalhar no Sun Studio. Mandei até uma carta, mas não recebi resposta nenhuma.
Em uma das ligações que fiz ao estúdio (hoje estúdio e museu), por sorte, o próprio dono atendeu e me falou que havia lido os meus emails, mas que não precisava de ninguém. Eu disse que tudo bem, que naquele momento eu não poderia trabalhar mesmo, por causa das questões legais, mas continuei mandando emails uma vez por semana, para lembrá-lo que eu ainda estava muito interessada.
Quando finalmente recebi a minha permissão para trabalhar, mandei um email contando a boa notícia: ele poderia me contratar! Nenhuma resposta. Liguei, fui no Sun Studio, e nada do cara. Entendi o silêncio como um "não precisamos de ninguém no momento" e resolvi continuar com o plano, mas enquanto trabalhasse em outro emprego, afinal, as contas precisam ser pagas.
O Rob, meu marido, trabalha em uma loja de discos na Beale St. (rua histórica em Memphis, conhecida por ser o lugar onde, entre as décadas de 20 e 40, músicos como Louis Armstrong, Muddy Waters, Albert King, Memphis Minnie, B. B. King e Rufus Thomas se apresentavam e criaram o que hoje é conhecido como "Memphis Blues"). Eu pensei que seria ok trabalhar lá também, e há exatamente duas semanas pedi para que ele avisasse para os donos da loja que eu estaria disponível para trabalhar lá, caso eles quisessem me contratar.
Um dia depois, eu estava conversando com a dona da loja em um restaurante, acertando os detalhes para trabalhar em uma outra loja que eles têm na Beale St.
Beale St.
Acredite ou não: no mesmo dia eu recebi a informação de que o dono do Sun Studio estava interessado em me contratar. Não pude acreditar, parecia brincadeira do Universo.
Depois de noites sem dormir, falta de saber onde enfiar a cara para largar um emprego que mal comecei, emails trocados com a gerente, desencontros com o dono, hoje eu finalmente consegui conversar pessoalmente com o cara! E, sim, eu vou ser tour guide no Sun Studio. Isso significa que vou receber dinheiro para falar sobre Blues e contar a história do Rock, no lugar onde o próprio nasceu. Inacreditável, mas real.
Que essa nova fase da minha vida me dê muitas e muitas histórias para contar aqui no blog.
Uma das coisas mais divertidas é redescobrir músicas que você havia esquecido que gostava tanto e, ao mesmo tempo, descobrir material novo. Foi o que aconteceu comigo quando comprei, por 2 dólares, essa compilação, num sebo aqui em Memphis.
O momento não poderia ser melhor: ano passado, quando me mudei para Memphis, eu estava "aplicando" no meu marido partes da história, música, cultura, etc, que me influenciaram quando adolescente. Havíamos acabado de assistir "Psych-Out", filme de 1968, com Jack Nicholson, que se passa em São Franscisco, o berço do Movimento Hippie. Aliás, depois eu acabei ganhando a trilha sonora de presente, do meu marido fofíssimo:
Essa trilha sonora é SENSACIONAL,
mas fica para um próximo post.
Na mesma levada, assistimos a um documentário sobre Small Faces, banda que está representada pelo excelente vocalista Steve Marriott, na capa da compilação "Mojo Presents... Psych Out!"
Meses antes de eu me mudar para Memphis, o Rob havia me contado que escutou uma música que o fez lembrar de mim. A música em questão era Colours, do Donovan, artista que também está na capa do cd. O que o Rob não sabia era que eu sou a maior fã do Donovan, um músico que dispensa apresentações. Nos meses que se seguiram, fiquei encarregada de aplicar o Donovan também, no gosto musical do marido.
Enfim, esse é o contexto em que eu me encontrava quando achei esse cd na prateleira de um sebo.
"Mojo Presents... Psych Out" é uma compilação com o tema "LSD", que reúne pérolas do Rock que definiu as épocas pós-Beatnik e começo do Movimento Hippie, e que reflete a diversidade musical de um tempo em que parecia que o mundo realmente poderia ser mudado por meio de paz, amor e... LSD.
Track list:
1. John's Children - Smashed Blocked
2. The Smoke - High In A Room
3. Tomorrow - Revolution
4. The Attack - Mr. Pinnodmy's Dilemma
5. The Troggs - When Will The Rain Come
6. The Move - (Here We Go Round) The Lemon Tree
7. Gordon Jackson - A Day At The Cottage
8. Small Faces - Long Agos And Worlds Apart
9. The In Crowd - Blow Up
10. Donovan - Three Kingfishers
11. Kaleidoscope - (Further Reflections) In The Room Of Percussion
12. The Zombies - Hung Up On A Dream
13. Procol Harum - Cerdes (Outside The Gates Of)
14. Barclay James Harvest - Pools Blue
15. Focus Three - 10,000 Years Behind My Mind
Se você gosta de Black Crowes, esse nome é bem familiar. Marc Ford, o "nosso" guitarrista preferido, lançou recentemente seu quinto álbum solo, "Holy Ghost".
Particularmente, e imagino que todas as pessoas que conhecem o trabalho do Marc Ford também tenham sentido isso, eu esperava um álbum completamente diferente. "Holy Ghost" dá pouco espaço para a guitarra elétrica, além de não trazer nem um pouco de Blues/Rock, estilo que consagrou o guitarrista.
Outro ponto interessante é a evolução vocal de Marc Ford. O que antes soava como "um guitarrista cantando", agora soa como um vocalista, mas com a mesma essência dos álbuns anteriores. Uma boa e coerente mudança, considerando o som de cada álbum, já que os anteriores tinham uma sonoridade mais "suja", no melhor sentido da palavra.
Como uma boa apreciadora de easy listening (feito por pessoas talentosas), preciso dizer que é um álbum apaixonante. Um Country honesto, que você não precisa pensar muito, apenas curtir. Nada inovador ou excepcional, mas uma boa pedida pros momentos de relaxamento, quando você só quer descansar a mente e sentir a tranquilidade que um álbum de Country pode lhe proporcionar.
Track List:
1. If I'd Waited
2. Blue Sky
3. Dancing Shoes
4. Dream #26
5. In You
6. I'm Free
7. Just A Girl
8. You Know What I Mean
9. Turquoise Blues
10. Sometimes
11. Badge Of Descension
12. Call Me Faithfull
Você pode escutar o primeiro single, "Dream #26", que foi lançado no início desse ano, e ter uma amostra do que o resto do álbum traz:
A banda California Breed, que é composta por Glenn Hughes (baixo e voz), Andrew Watt (guitarra e voz) e o "meu" menino Jason Bonham (bateria, claro), lançou seu primeiro álbum hoje. Não precisei escutar muitas vezes pra escrever sobre o disco. Tudo que eu preciso escrever é: Hard Rock de primeira qualidade.
Gosto de comentar sobre a primeira música de cada álbum, porque é ela que abre o portal, certo? Na minha opinião, a primeira música do California Breed, "The Way", foi uma ótima escolha, pois já começa mostrando que os caras não estão pra brincadeira. Dá aquele chutão na porta e já "chega chegando".
Eu, pessoalmente, não gosto de baladinhas Hard Rock, e não foi diferente com as músicas "All Falls Down" e "Breathe", mas pra quem gosta, são um prato cheio!
Track List:
1. The Way
2. Sweet Tea
3. Chemical Rain
4. Midnight Oil
5. All Falls Down
6. The Grey
7. Days They Come
8. Spit You Out
9. Strong
10. Invisible
11. Scars
12. Breathe
A banda já havia lançado as músicas "Sweet Tea" e "Midnight Oil" no começo desse ano. Quem reclama que não existe música boa hoje em dia, toma:
É sempre assim. Quando eu acho que o Chris Robinson não consegue se superar, ele vai lá e lança alguma coisa genial, maravilhosa, de extrema qualidade e bom gosto. Eu fico sem palavras e escuto o disco repetidamente por uns bons meses.
Tenho escutado o terceiro álbum do Chris Robinson Brotherhood, o Phosphorescent Harvest, por quase um mês e estava tentando escrever sobre ele desde então, mas é tanta coisa linda, tanta música em camadas (como eu chamo músicas que me despertam várias emoções ao mesmo tempo), que não consegui. Mas vamos lá! Começando pela capa, que é, sem exagero, a capa mais linda que já vi:
A capa aberta fica assim:
É de matar a véia aqui de amor!
E por dentro:
Os discos não ficam pra trás na "buniteza"... Olha que maravilhosos:
Bom, não é só de capa e discos lindos que se faz um álbum. O mais importante, a música, realmente é o que esse álbum tem de melhor. Por isso, assim que você consegue controlar a emoção por ter essas maravilhas nas suas mãos, a música começa e, junto com ela, uma viagem incrível no Rock Psicodélico. Adam MacDougall, tecladista, tem mais espaço do que nunca nesse disco, mostrando sua habilidade excepcional nos sons meio malucos, mas super gostosos de escutar e em harmonia com as músicas.
Confesso que eu tive que escutar mais de uma vez a primeira música, Shore Power, para me acostumar com ela. É um susto para os fãs mais convencionais do Rock N Roll. Ela é animadinha e cheia de firulas musicais, que não consegui entender muito bem nas primeiras vezes que escutei, mas agora já me acustumei e gosto dela.
Da segunda música até a última, é aquilo... Fechar os olhos, dar AQUELA suspirada e sentir que o mundo é perfeito, a vida é bela e a música, mais ainda. Todas as músicas são as minhas preferidas, mas eu gostaria de destacar Humboldt Windchimes, que veio no álbum 7'' (o pequenininho da foto). Essa música é uma surpresa muito boa! Um instrumental psicodélico, com Adam e Neil Casal (guitarrista) se revezando na loucura, e um groove incrível!
Track list:
1. Shore Power
2. About A Stranger
3. Meanwhile
4. Badlands
5. Clear Blue Skies
6. Beggars Moon
7. Wanderer's Lament
8. Tornado
9. Jump The Turnstile
10. Burn Slow
No blog Macrocefalia Musical tem um texto excelente sobre o Phosphorescent Harvest, que diz tudo o que eu gostaria de ter dito, mas a euforia ainda não me deixou. Você pode ler o texto clicando aqui.
Cynthia era uma universitária comum no final da década de 60, fazendo o curto de Artes, quando a professora passou o dever de casa: engessar algo sólido, que possa diminuir de tamanho. Empolgada com o Movimento Hippie e a ideia de amor livre, Cynthia encontrou no dever de casa uma maneira de chegar (muito) perto de alguns rock stars. Seu plano de engessar partes íntimas dos maiores astros da época tornou-se um sucesso, antes mesmo que ela o colocasse em prática.
O primeiro de muitos clientes foi Jimi Hendrix. Como foi seu primeiro e ela não tinha muita experiência, Cynthia abriu o molde antes da hora e ele rachou, mas ela o colou com cola.
Jimi Hendrix
Frank Zappa logo se interessou por essa forma de arte criativa e bem humorada, apesar de nunca ter sido submetido ao procedimento, e tornou-se uma espécie de "padrinho" da ideia. Zappa levou Cynthia para Los Angeles, onde ela pôde encotrar vários artistas dispostos a participar do projeto. Lá, ela ficou conhecida como Cynthia Plaster Caster.
Zappa queria preservar todas as peças, a fim de colocá-las em exibição em museus, algo que nunca aconteceu. Com o passar dos anos, Cynthia Plaster Caster expandiu sua coleção para cineastas e mulheres também, fazendo o gesso dos seios.
Margaret Doll Rod
Foi feito um documentário sobre Cynthia (Caster Plaster, de 2001) e pelo menos duas músicas foram inspiradas nela: "Five Short Minutes", de Jim Croce, e "Caster Plaster", do KISS. Ela também foi mencionada na música "Nanny Nanny Boo", de Le Tigre.
"Wild Tales" é o segundo álbum solo de Graham Nash, de 1973, e é considerado (por mim, hehe) o trabalho mais sincero dele. Muitos atribuem erroneamente o tom sombrio das letras ao assassinato da namorada de Graham, Amy Gossage, mas a tragédia aconteceu mais de um ano após o lançamento do álbum. O motivo de tanta tristeza foi o fim de dois relacionamentos: o amoroso, com Joni Mitchel, e o musical, com Crosby e Stills.
You'll never be the same without me by your side There's no one I can blame about my foolish pride As long as life's a grain of sand tossing and turning in the tide I'll say it once again, you'll never be the same
(You'll Never Be The Same)
O disco foi um fracasso de vendas (e por isso veio parar no "Perdidos no Espaço"), o que fez Nash mudar de gravadora na época. Não conheço muito sobre a vida pessoal de Graham Nash, mas imagino que essa fase deve ter sido uma das mais difíceis para ele. De qualquer forma, estou com muita vontade de ler sua biografia, que ganhou o mesmo nome do disco: Wild Tales.
Musicalmente, o álbum é um easy listening super gostoso, que até lembra Crosby, Stills & Nash em alguns momentos. Tem todos os estilos que esperamos de Nash: Folk, Country, Americana... Conta, também, com participações de David Crosby, Neil Young (sob o pseudônimo "Joe Yankee") e, ninguém mais, ninguém menos que a pessoa que devastou o coração de Graham Nash. Isso mesmo: Joni Mitchel. Vai entender...
Track list:
1. Wild Tales
2. Hey You
3. Prison Song (com David Crosby)
4. You'll Never Be The Same
5. And So It Goes (com David Crosby e Neil Young)
6. Grave Concern
7. Oh! Camil
8. I Miss You
9. On The Line (com David Crosby)
10. Another Sleep Song (com Joni Mitchel)
No geral, é um excelente álbum, com uma sensibilidade incrível. Eu, particularmente, me derreto quando escuto desabafos musicais feitos por pessoas tão talentosas quanto Graham Nash. Ele conseguiu transformar tristeza e desespero em músicas que transbordam calma e tranquilidade. Pelo menos, essa é a impressão que eu tenho. Escute e me diga o que você acha:
(quem mais chorou junto, ao escutar a voz de Joni Mitchel lááá no fundo,
logo depois que Graham Nash canta a frase
"I don't want to hurt you, but I never heard a word you said"?)
Recentemente compramos o vinil da primeira compilação do "The 78 Project", um projeto que desafia diversos artistas a tocarem uma música com apenas um microfone antigo, usando uma tecnologia da década de 30 para gravar diretamente em um vinil de 78 RPM.
O resultado é emocionante, pelo menos para os amantes do vinil nas suas variadas formas. Em uma época em que as bandas abusam da produção e deixam de lado o bom senso e a qualidade, ouvir artistas atuais numa gravação extremamente limitada, antiga, mas com um bom gosto incrível, é realmente maravilhoso.
Estou apaixonada não só pelo álbum, mas pelo projeto em si. Espero que tenha muitos outros volumes pela frente.
Track list:
Lado A:
1. The Coo Coo Bird - Richard Thompson
2. Old Paint - Loudon Wainwright II
3. Glory, Glory - The Wandering
4. The Wayfaring Stranger - Rosanne Cash e John Leventhal
5. More Pretty Girls Than One - Marshall Crenshaw
6. Wildwood Flower - Valerie June
7. A Little Love, A Little Kiss - Leah Siegel
Lado B:
8. How Can I Keep From Singing - Adam Arcuragi
9. Omie Wise - Rev. John DeLore & Kara Suzanne
10. Railroad Boy (Died Of Love) - Amy LaVere
11. Red Silver Valley - Joe Henry & Lisa Hannigan
12. Banks of the Ohio - Vandaveer
13. The Brown Girl - Dawn Landes
E, aparentemente, eu não fui a única a ficar empolgada: o projeto virou documentário. Apreciem um pedacinho nesse vídeo:
Entenderam o nível de amor? Além de me deixarem viciada no disco, agora estou louca para assistir o documentário. Fino demais!
Essa é a tradução de uma matéria tirada do site American Blues Scene. Para acessar o texto original (em inglês), clique aqui.
Memphis Minnie & Kansas Joe – When The Levee Breaks
"When The Levee Breaks" ("quando a barragem desabar", em português) é um blues muito famoso e popular, datado da década de 1920, época em que uma enchente sem precendentes devastou Mississippi. Desde então, a música continuou traçando seu caminho na cultura popular, solidificando seu lugar na história da música, graças a uma das bandas de Rock mais icônicas de todos os tempos.
"Barragens" eram um tema particularmente comum entre os músicos originais do Delta Blues. Para quem não é familiar com a vida perto de um rio, barragens são amontoados gigantes de terra, construídos ao longo das vias fluviais, para que, durante uma enchente, a água não atinja imediatamente as cidades e fazendas. Mas se um rio encher muito e por muito tempo, as barragens se tornam saturadas e desabam. Se o nível da água for muito alto, pode ultrapassar as barragens.
"Barragens" eram, e continuam sendo, uma realidade no Delta Mississippi, área de centenas de milhas no norte do Mississippi, que é extremamente plana e historicamente propensa a enchentes do Mississippi River.
Em 1927, o Mississippi River encheu em proporções enormes, derrubando barragens e escorrendo milhões de galões de água na área, destruindo cidades, casas, fazendas e tudo no seu caminho. Moradores do Delta (negros, em sua maioria) se juntaram para construir barragens mais altas. As pessoas se abrigaram em cima das barragens, os únicos lugares altos da área. As medidas desesperadas eventualmente falharam e o rio rompeu as barragens, matando centenas de pessoas e causando o disastre natural mais caro da história dos Estados Unidos. Depois, as condições pioraram ainda mais. Sem nenhuma safra para colher, muitos negros, que só tinham a meação como meio de emprego num sul dos Estados Unidos extremamente racista, ficaram desempregados e sem nenhum meio de conseguir dinheiro. Muitas de suas casas modestas, que eram alugadas para eles pelos donos das plantações, haviam desaparecido. Uma grande quantidade de negros foi deixada desamparada e sem quaisquer recursos, vivendo em tendas em acampamentos construídos nas barragens desmoronadas, sem comida, dinheiro ou teto. Como resultado, muitos não tiveram outra saída, além de irem embora para o norte, à procura de uma vida melhor.
Muitos músicos do Blues cantaram sobre as terríveis condições dos "acampamentos", como Son House e incontáveis trabalhadores. Muitos foram gravados por Alan Lomax, mas nenhum tão famoso quanto Memphis Minnie, que, junto com Kansas Joe McCoy, gravou "When The Levee Breaks", dois anos após o que ficou conhecido como The Great Mississippi Flood of 1927. A música era tocada em ragtime*, com o narrador preocupado com o que aconteceria se a barragem que o protegia se rompesse.
Se continuar a chover, a barragem vai desabar Se continuar a chover, a barragem vai desabar E a água vai vir, não teremos nenhum lugar para ficar Durante toda a noite eu sentei na barragem e lamentei Durante toda a noite eu sentei na barragem e lamentei Pensando no meu amor e no meu lar feliz
"When The Levee Breaks" continuou a ser uma música peculiar, retratando o medo e o dano da enchente em primeira pessoa, por quatro décadas antes de se tornar extremamente popular.
Em 1970, Led Zeppelin, uma banda que experimentou meteórica fama sem precendentes, entrou em estúdio para gravar seu quarto álbum. Muito de sua música, até então, tinha sido fortemente baseado no Delta Blues, estilo que os membros da banda eram fanáticos. Uma música triste feita há 40 anos, falando sobre as barragens desmoronadas no Mississippi veio a calhar.
A banda montou um estúdio na casa Headley Grange e colocou a bateria de John Bonham no hall, em frente às escadas, capturando um peso único, que desde então tem sido repetido (e sampleado) incontáveis vezes.** A banda estava tocando a partir de cabos ligados à uma van, emprestada pelo Rolling Stones, estacionada do lado de fora da casa. Eles tocaram uma versão mais lenta de "When The Levee Breaks", adicionando uma gaita reversa com ecos e sutilmente colocando novos sons a cada 12 compassos. A faixa se tornou um enorme sucesso e quase imediatamente solidificou seu lugar na cultura musical.
Desde seu lançamento, em 1970, a música deu origem a incontáveis interpretações diferentes. O recente álbum Modern Times, de Bob Dylan, contém uma versão da música. Buckwheat Zydeco tem uma versão em estilo Funk, deep-south. O guitarrista Dudley Taft também tem uma versão dessa música em seu novo álbum, Left For Dead. Gov't Mule toca frequentemente "When The Levee Breaks" ao vivo, com um slide furioso e os vocais feitos para o Blues de Haynes.
Somente a bateria de John Bonham foi sampleada dezenas de vezes por artistas do Pop e Rap, como Eminem, Puff Daddy, Massive Attack, Beastie Boys, Depeche Mode, entre outros.
42 anos após a lendária versão do Led Zeppelin, que foi criada 41 anos depois da versão original de Memphis Minnie, a música de quase um século não mostra sinais de desaceleração. Suas pegadas foram gravadas em quase todos os gêneros da música popular atual.
* Ragtime é um gênero musical norte-americano que teve seu pico de popularidade entre os anos de 1897 e 1918. O ritmo foi o primeiro gênero musical autêntico norte-americano, superando o jazz (Wikipedia).
** Existe um vídeo do próprio Jimmy Page na Headley Grange explicando como a bateria foi gravada, retirado do filme It Might Get Loud. Você pode assistir o vídeo (em inglês), clicando aqui.
Amanhã aqui nos Estados Unidos acontece o famoso "Record Store Day": uma celebração dos amantes do vinil. Lojas associadas ao Record Store Day recebem em primeira mão lançamentos que outras lojas ainda não têm acesso (veja os lançamentos de 2014 clicando aqui: lista), além de serem palco de várias atrações artísticas, shows, etc... Filas se formam em frente às lojas antes mesmo que estejam abertas, pessoas viajam de outras cidades para aproveitar a celebração nas lojas onde o evento acontece.
Somente três lojas aqui em Memphis participam do Record Store Day e a que o Rob trabalha, Memphis Music, é uma delas. Ele foi entrevistado sobre o evento pelo jornal Memphis Flyer, no que saiu essa matéria ontem mesmo: Go Buy Vinyl! (em inglês). Na matéria, Rob (Robert Parker), diz que terão "vários lançamentos" e o jornalista sugere que as pessoas cheguem cedo na loja.
Parecia que tudo estava indo bem, quando, hoje de manhã, antes de sair para o trabalho, o Rob recebe um email da distribuidora em que ele encomenda os discos, pedindo desculpas: eles tiveram um contratempo e não iriam conseguir entregar o carregamento a tempo, apenas no domingo. Gente. Imagina a tensão.
Foi então que sugeri que fôssemos buscar o carregamento, já que a distribuidora fica em Nashville, "apenas" 3 horas de distância (aprendi que 3 + 3 = 6 e 6 horas de viagem pra voltar pra casa em vez de curtir uma viagem de fato é bem cansativo). Esvaziamos o carro, joguei uma água no rosto para acordar, e lá fomos nós no "Corre do Vinil"! 3 horas e meia de estrada ao som de Humble Pie e Faces (não, a gente não cansa deles).
Parte engraçada do dia: eu estava usando uma blusa do The Flying Burrito Bros. e quando paramos para almoçar, um senhor que estava sentado na mesa ao lado se levantou e perguntou se o Rob era um membro da banda. O Rob disse "quem dera" e o senhor ficou conversando sobre música com a gente por um bom tempo. Fico chocada com essas coisas, hahaha!
Chegando no depósito da distribuidora, mais espera: eles nem tinham os discos ainda! Esperamos o tempo suficiente para cansar de adedonha de nomes de bandas (eu perdi), até que nos chamaram para pegar o carregamento. Caixas e mais caixas de discos e os nossos olhinhos brilhando.
O pedido de desculpas da distribuidora, além de pagar a gasolina, foi concretizado em forma de box sets. Nos deixaram escolher dois. O Rob escolheu esse, do Sly Stone:
E eu escolhi esse, do Led Zeppelin:
E foi assim que eu e o Rob conseguimos dois dos nossos objetos de desejo. A gente vinha sonhando com esses box sets por muito tempo e agora são reais! Que felicidade!
Voltamos para Memphis mais cansados, mas mais felizes, ao som de Rolling Stones (não, a gente não cansa deles). Além do sufoco de descarregar tudo quando chegamos na loja, agora o Rob está lá, curtindo o rock pesado, passando todoooos os discos pro sistema e organizando. Muita ralação, mas vale a pena.
Hoje merecemos uma boa noite de sono e amanhã, acordar cedo, afinal é Record Store Day!
Extra:
Álbum de páscoa para quem é "dos meus": Easter Everywhere (1967), da banda 13th Floor Elevators. Enjoy!
Todos conhecem o clássico álbum "The Freewheelin' Bob Dylan", mas você já se perguntou quem é a garota agarrada no freewheelin' man na capa do disco?
Seu nome é Suze Rotolo e ela era a namorada de Dylan na época em que ele compôs e gravou o álbum. Ela é artista e professora na Parsons School Of Design, em Nova York.
Após se mudar de Nova York, em 1962, Bob Dylan escreveu a música "Tomorrow Is A Long Time" para Suze Rotolo.